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O Desaparecimento de Eleanor Rigby (2014) – Crítica

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Por Vítor Nery

Um casal perdido em torno de si. Ele, objetivo, busca na esposa um ponto de apoio para seguir em frente. Ela, mais introspectiva, despedaça-se em pequenos fragmentos de si mesma, encontrando na fuga uma possível solução para reunir seus cacos. Será o sentimento – ou o que resta dele – capaz de amparar uma relação abalada por circunstâncias mordazes?

Originalmente lançado em duas partes, uma sob a perspectiva de Conor (James McAvoy) e outra, sob a de Eleanor (Jessica Chastain), o filme compila ambos os pontos de vista para assegurar uma distribuição comercialmente mais viável nos cinemas, contando uma história que não é propriamente de amor, mas sobre o amor. Sobre seus encontros e desencontros. Sobre homem e mulher em busca de suas próprias identidades.

Apesar de se vender como mais inovador do que realmente é, o longa, inspirado numa canção dos Beatles sem necessariamente reproduzi-la em sua narrativa, consegue realizar-se plenamente dentro de sua singeleza. Seu grande trunfo é o roteiro envolvente, despretensioso e que dispensa explicações detalhadas – Ned Benson não deseja rotular sua obra como melodramática, e confia às interpretações do elenco a tarefa de nos pôr, implicitamente, a par dos acontecimentos.

Abrangente, o foco da película mescla o abalo amoroso às implicações ocorridas no círculo social do casal. Embora, aqui, a maioria dos coadjuvantes tenha espaço para brilhar, os maiores destaques da categoria são Ciarán Hinds e Viola Davis, respectivamente o pai de Conor e a professora de Eleanor. Cabe a eles, inesperadamente, dar o maior suporte emocional a cada um dos protagonistas, respondendo a seus anseios (que também são do espectador), fundamentados na incerteza de como agir dali em diante. A verdade é que a vida não possui um manual, tampouco um jeito certo de ser vivida.

O desfecho, ao som da faixa original No Fate Awaits Me, é um das melhores momentos da metragem. Acompanhar os passos de Conor e Eleanor é como reviver parte do nosso passado – os questionamentos sobre as adversidades afetivas, ou a simples ilusão de, vez ou outra, atribuir ao acaso a função de delimitar nossas vidas. Tomamos consciência da importância das escolhas. Afinal, afora os fatores externos, os maiores responsáveis pelo nosso destino, adivinhe, somos nós mesmos.

Obs.: No Brasil, o nome oficial da película é “Dois Lados do Amor” (É, eu sei…).
Trailer: (Clique).

Cotação: 4 Estrelas – Ótimo

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About Vítor Nery

Estudante de Jornalismo fascinado por Cinema e itinerante das nuvens nas horas vagas. Não sai de casa sem os fones de ouvido, faz amizades na fila da padaria e escreve para transmitir sensações. Assim como acredita no poder da sensibilidade, aprendeu que o único propósito da arte é existir.

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